Joaquim Alves Nogueira,
popularmente conhecido como Quincas Alves, nasceu na Vila de Pernambuquinho, em 12 de
dezembro de 1881, desde cedo iniciou-se no comércio ajudando os afazeres do pai, Marcos Alves de Souza[1]
que
era um grande comerciante-viajante e abastecia diversas feiras-livres pelo interior
do Ceará.
Ao lado do Sobrado[2]
construído pelo Padre José Raimundo Batista de Oliveira para servir de casa
paroquial e local onde ensinava o latim, era a casa onde Quincas Alves
nasceu e viveu toda sua infância e adolescência, de uma família de três irmãos:
José Alves Marques (Zeca Alves), Francisco Alves Nogueira e Luiza Alves Nogueira
(Lily Nogueira).
Os filhos do comerciante Marcos
Alves de Souza fundaram a firma Marcos & Filhos, onde
posteriormente se transferiram para a Vila de Guaramiranga, onde individualmente
Quincas Alves e Zeca Alves passaram a negociar na Rua do Comércio,
rua onde hoje leva o nome de Joaquim Alves Nogueira.
Quincas Alves casou-se em
5 de março de 1927, com uma distinta moça do lugar, Maria Odete de Argollo
Caracas, que residia no Sítio São Salvador, natural de Salvador da Bahia, nascida
em 19 de abril de 1891, era filha de Francisco Pacífico Caracas, primeiro
engenheiro agrônomo do Ceará, formado na turma de 1884 da Imperial Escola
Agrícola da Bahia e da baiana Rita Flávia de Argollo Caracas.
O estabelecimento de Quincas Alves
era o maior empório comercial de toda a região, abastecia todos as mercearias
serranas e parte das dos sertão de Caridade, diziam a época que ele vendia
da agulha ao avião.
Quincas Alves pode ser
considerado o percusor do supermercado[3],
pois já na década de vinte, mantinha seu comércio livre para escolha
pelo cliente do que queria abastecer-se e só depois era que se dirigia ao proprietário ou caixeiro para pagamentos
ou para embrulho, eram vários cômodos de locais próprio, onde um era armazéns de secos e molhados geralmente vendidos a granel[4],
noutras salas ou divisão para empórios como tecidos, cordas e cordões de algodão,
botões, arames e bronzeados, enfeites e floridos, noutras reservados para recipientes
com querosene, álcool, carbureto de acetileno, mudas, madeiras, pregos, celas e
cangalhas, ferramentas agrícolas e de ofícios, utensílios domésticos de louça ou
de agde, etc.[5]
Além de exímio comerciante, Quincas
Alves destacou-se na agricultura, sendo o pioneiro na produção de borracha
de maniçoba, quando na alta procura, os revendia para exportação em bom
preço, como também foi o introdutor da bananicultura no região serrana, que produzia
em larga escala em seus sítios e fazendas nos municípios de Guaramiranga,
Pacoti, Mulungu, Baturité, Caridade, Canindé e até Fortaleza.
Por fim, Quincas Alves, foi um autodidata, não sei se por influência da educação recebida do padre, tendo mantido assíduas correspondências com os acadêmicos Humberto de Campos e Gustavo Barroso, com o poeta e escritor Mário Linhares, qual gozava de um especial estima, como se atestam pelas dedicatórias que faziam em suas obras, bem como, do jurista e professor José Waldo Ribeiro Ramos.
[1] O Alferes Marcos Alves de Souza, nascido no Arraial da Telha, da Vila de Tamboril, era filho de Joaquim Alves de Oliveira e de Joana Batista do Nascimento, ainda solteiro passou a comercializar na feira-livre da Vila de Pernambuquinho, vindo a convite de seu amigo e parente, Padre José Raimundo Batista de Oliveira, capelão da Igreja de Senhor do Bomfim (dizem que ambos eram da mesma família do Padre Cícero Romão Batista), inclusive tendo casado nessa igreja em 1º de novembro de 1879 com Maria Albina de Miranda, depois Maria Nogueira de Souza, nascida na Freguesia das Russas e que era filha de José Nogueira de Miranda e de Teresa Olinda de Miranda (in Cf. Francisco Augusto de Araújo Lima. Famílias Cearenses Treze – Siará Grande - Uma Província Portuguesa no Nordeste Oriental do Brasil. Ed. Expressão Gráfica. Fortaleza. 2016. Quatro Volumes. 2.300 p. Cf. CD8 L3 Ób 46 e Russas CD8. Cf. Russas CD8 L4 cas 139).
[2] Em 1873, chega de Olinda, Pernambuco, para vigariar o templo de Senhor do Bomfim, que foi construído em 1871, na Vila de Pernambuquinho, outrora chamado de Arraial do Riacho das Cobras, o Padre José Raimundo Batista de Oliveira, de logo iniciou a construção do sobrado que seria sua residência, feita com uma solidez que até hoje sobrevive em pé, permaneceu em Pernambuquinho até o ano de 1897, quando foi vigariar a paróquia de Pentecoste, na sua ausência o Sobrado ficou desabitado, vindo o padre a falecer em Sobral, na data de 14/03/1918, desta data o imóvel ficou ocupado pela Professora Dinorá Viera Linhares, casada com Manoel de Abreu Mota, que residia e nele lecionava a cadeira reunidas (masculino e feminina), forma recém permitida pela Reforma Educacional do Ceará, datada de 1922, o casal porém nos anos finais da década de trinta foram embora para o Rio de Janeiro, sendo o imóvel vendido pelos familiares ao Dr. João Otávio Lobo, então médico particular de D. Libânia de Holanda, do Sítio Uruguaia, que passou a frequenta periodicamente a Serra, e, em 1940, o Sobrado foi adquirido por Lauro e Carmen Chaves, descendentes do Barão de Camocim, que permanece em família até hoje.
[3] Não há um consenso sobre onde e quando surgiu os supermercados, mas com certeza é uma criação do século vinte, costuma-se dar o título do primeiro supermercado ao chamado “King Kullen”, que foi inaugurado em 1930, no bairro de Queens, em Nova York, pelo empresário americano Michael Cullen. Nos anos 50, os supermercados chegaram à Europa e ao Brasil. As primeiras aparições surgiram em 1953 em São Paulo e o estabelecimento “Sirva-se” é considerando o primeiro do gênero no Brasil.
[4] Os fregueses entravam e escolhiam os produtos que ficavam expostos em sacos abertos (Secos como milho, arroz, macarrão, rapadura, café em pó, fubá, leite em pó, achocolatado, massas, açúcar, farinha, feijão, frutas secas, carne-seca, sal, fumo em rolo, etc. e molhados como leite, óleos e banhas, azeites, vinhos, cachaça e zinebras, etc.).
[5] Em reportagem no Diário do Nordeste (DN de 23/04/2005, fls. 02), o libanês Irmes Gottlieb expos o seguinte comentário: “Quero prestar uma homenagem, a Quincas Alves, por considerá-lo o pioneiro dos super mercados no Ceará. Com o tipo comercial e a coragem, ele se estabeleceu com uma loja, verdadeiro empório, onde, abastecia todos os serranos do Maciço de Baturité. Nem Fortaleza, me faz lembra, uma loja comercial daquele porte.



Nenhum comentário:
Postar um comentário