No retorno para casa, ontem, a diretora carioca Christina Streva levava mais que boas lembranças do 18º Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga. Responsável pela montagem de Flor de Macambira, do Grupo Ser Tão Teatro, da Paraíba, ela fazia o caminho de volta com muitas palmas, encontros, reencontros, o cobiçado troféu de Melhor Espetáculo indicado em votação popular e a certeza de que, agora, a companhia tinha cumprido um ciclo.
“Passar por Guaramiranga é um marco para qualquer companhia do Nordeste”, reconheceu. Com quatro anos de história e três destacados espetáculos no currículo à frente da nova companhia, Streva explica que o FNT funciona como uma espécie de chancela para os grupos da região, dedicados em trabalhos de pesquisa de linguagem e experiências coletivas.
“Guaramiranga é uma referência na trajetória do Bagaceira (CE), do Angu (PE) e do Clowns de Shakespeare (RN), que hoje são referências de teatro nordestino para todo o Brasil. Então, a gente tinha o sonho de trazer nosso trabalho aqui e ver como ele poderia interagir com a história desse festival”, comentou a diretora.
Apresentado sábado último (10), encerrando a programação da Mostra Nordeste, Flor de Macambira contagiou a plateia desde o início da encenação. Inspirada no texto O Coronel de Macambira, de Joaquim Cardozo, a peça brinca de forma muito humorada com as tradições populares.
Com um elenco homogêneo, Streva fez do amor de Mateus e Catirina um pretexto para desenvolver um enredo de cenas curtas e ágeis, em que as músicas conduzem o espectador por uma gama de tipos e causos. Com adaptação de Rosyane Trotta, a peça tem uma vitalidade impressionante, mantendo o clima festivo do começo ao fim. Em cena, jovens atores convidam a conhecer uma nova cena paraibana, intensa e cheia de histórias, como demonstra a presença da veterana Cida Costa no elenco.
BASTIDORES
BASTIDORES
Em sua reta final, o 18º Festival Nordestino de Teatro foi palco também para um tanto de política. Artistas reafirmaram a urgência de que o Teatro Rachel de Queiroz seja concluído e volte a receber o evento. Na cerimônia de encerramento, porém, a aguardada presença do secretário da Cultura do Estado, Francisco Pinheiro, não se concretizou. Representando o titular da pasta, a adjunta Maninha Morais, disse que o Governo tem compromisso com aquele equipamento cultural e garantiu empenho para resolver o problema.
Interditado por problemas de estrutura desde o início do ano, o Teatro Rachel de Queiroz é pauta para uma reunião entre Governo do Estado e Prefeitura já agendada para o próximo dia 16. “Vamos ter esse primeiro encontro e fazer o que for possível para que Guaramiranga tenha de volta o seu teatro”, garantiu Maninha. Na Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga (Agua), entidade que promove o Festival de Teatro, a esperança é que, para 2012, esse problema tenha sido contornado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário